Serenidade

Como um braço de mar que entra pela terra, a sua respiração tomava conta de todo o quarto, numa serenidade apenas dela. Murmúrios enlevados, vagas súplicas no tempo disforme, copos sujos e abandonados no chão revolto, o dia que acorda banhado em luz e frio.
Silêncio... Todo o Universo vive em ti: na tua pele quente, galáxias revolvem e morrem,; nos teus olhos, estrelas morrem num esplendor explosivo; nos teus lábios, planetas de todas as cores dançam numa sinfonia silenciosa; nos teus seios, oceanos matizam-se em mil formas; na tua pele, a vida desfaz-se na eternidade...

(photo by Jean-Francois Jonvelle )
Se um dia o meu corpo
for encontrado
jazendo
num rio de sangue...

Atrás do tempo
alguém virá
resgatar
o seu vazio...

Se um dia
o meu desejo
morrer
encarcerado em sal...

No fim do dia
na rocha eterna
suspiros
elevar-se-ao ao céu...

Se no fim
do tempo difuso
o esquecimento
vencer...

Serei
eternamente
pó...

הארץ המובטחת

Há na forma diluída do teu olhar,
Uma promessa feita de estrelas.