No reflexo negro da estrada negra,
O vento fez-se lâmina e solidão.
Estático, admiro o vogar da cidade silenciosa.
...marginal ao pôr do sol...
há na forma desenhada do teu cabelo,
o destino que me feriu.
a derrota do teu corpo,
manchando de suor os lençóis,
na súplica do dia que morre,
vaza as horas do seu tormento.
rasgar a ferida cicatrizada,
perder o que nunca se teve,
arrastar pelo vento
o grito sufocado,
de uma alma dilacerada
pelo vazio do teu riso...
o destino que me feriu.
a derrota do teu corpo,
manchando de suor os lençóis,
na súplica do dia que morre,
vaza as horas do seu tormento.
rasgar a ferida cicatrizada,
perder o que nunca se teve,
arrastar pelo vento
o grito sufocado,
de uma alma dilacerada
pelo vazio do teu riso...
...deleite...
no frio silêncio
da tua solidão,
uma vasta forma negra
cobre o teu olhar.
no tempo inerte,
farrapos de sonhos
jazem.
doentias sombras
dissolvendo ténues
esperanças perdidas,
num mar de
vultos inglórios,
estátuas de lágrimas
deitadas ao
abandono sepulcral,
matiz mórbido
no lençol revolto e frio.
olhar a parede nua.
sentir o frio na tua pele,
nudez das estrelas
deleitadas,
flor carnívora
sedento
toque concreto na
gélida lembrança
de um ocaso
partilhado.
da tua solidão,
uma vasta forma negra
cobre o teu olhar.
no tempo inerte,
farrapos de sonhos
jazem.
doentias sombras
dissolvendo ténues
esperanças perdidas,
num mar de
vultos inglórios,
estátuas de lágrimas
deitadas ao
abandono sepulcral,
matiz mórbido
no lençol revolto e frio.
olhar a parede nua.
sentir o frio na tua pele,
nudez das estrelas
deleitadas,
flor carnívora
sedento
toque concreto na
gélida lembrança
de um ocaso
partilhado.
Dilúvio Interno
Há na forma irregular do teu rosto,
Um silêncio demasiado profundo.
Uma sombra que se arrasta,
Vagas de uma luz negra,
Uma solidão que se grita,
Matéria inerte do pó das estrelas.
Olhar a chuva miúda
Que cai solene na escuridão,
O vento que sopra
Se enrola dolente nos dedos nus.
A bruma húmida
Corroendo a face,
Abrindo vagas de sal
Numa fuga de ti.
Há na forma irregular do teu rosto,
Uma saudade do que nunca foi...
Um silêncio demasiado profundo.
Uma sombra que se arrasta,
Vagas de uma luz negra,
Uma solidão que se grita,
Matéria inerte do pó das estrelas.
Olhar a chuva miúda
Que cai solene na escuridão,
O vento que sopra
Se enrola dolente nos dedos nus.
A bruma húmida
Corroendo a face,
Abrindo vagas de sal
Numa fuga de ti.
Há na forma irregular do teu rosto,
Uma saudade do que nunca foi...
...trilho sinuoso entre sombras e lixo...
Um vampiro de olhos vermelhos
Percorre ruelas sombrias.
Nos seus pés inquietos,
Corpos abandonados ao prazer
Em assembleias ébrias.
Carne jovem, rubra, vibrante,
Perfumada de frescura e suor.
Rastos de serpentes
Nas pedras gastas.
Chamas negras
Incendeiam o nevoeiro branco,
O silêncio mortal
Sucumbe a deuses breves.
O riso inebriante
Ecoa nas paredes apodrecidas,
Zumbindo vácuas memórias.
Jaz morto o dia,
Fantasmas de dias cinzentos
Pairam no vazio doentio,
Feito de violências lendárias,
Sangue coagulado no Verbo,
Cálidas paisagens sonoras
Embrenhadas nos passos hesitantes.
Um feto apodrecendo
Na vasta ternura da fria manhã.
Uma vaga rasga o céu que se ilumina,
Réstias de sons, perdidos,
Na imensidão do sol fumarento,
Reflectindo o lixo vácuo do caminho.
Caminhando entre detritos,
Súplicas monstruosas
Vagas tormentas
Matizes apodrecidos,
Abandono solar,
Corroendo a tormenta
Feita de fogo e fome e medo.
Somos todos feitos do que nos sobra.
Abandonados no simples gesto,
Acelerando na intrépida vertigem voraz
Do frio que corta a pele,
Na sempre constante
Inútil
Persistente
Sensação de tudo querer,
Nada ter,
Nada ser,
Tudo desejar com o grito
Calado e moribundo,
Vazio de Tempo,
Prenhe de Impossível
No silvo hipnótico
Dos olhos fechados em sonho,
No Ideal moribundo de um momento,
Em que tudo se altera,
Como por magia infértil,
Salto quântico,
No Universo estático,
Sem um único fechar de mãos.
Sem um único tormento largado
Das nossas vidas presas
Na imensidão do nosso Vazio.
Mas tudo se repete.
Nada muda.
Tudo se mantém
Na persistente tepidez do frio
Que nos abraça a pele.
Todo o Universo prossegue
Na sua vasta e inerte ilusão de Tempo e Espaço.
O Esquecimento ignóbil dos dias…
Percorre ruelas sombrias.
Nos seus pés inquietos,
Corpos abandonados ao prazer
Em assembleias ébrias.
Carne jovem, rubra, vibrante,
Perfumada de frescura e suor.
Rastos de serpentes
Nas pedras gastas.
Chamas negras
Incendeiam o nevoeiro branco,
O silêncio mortal
Sucumbe a deuses breves.
O riso inebriante
Ecoa nas paredes apodrecidas,
Zumbindo vácuas memórias.
Jaz morto o dia,
Fantasmas de dias cinzentos
Pairam no vazio doentio,
Feito de violências lendárias,
Sangue coagulado no Verbo,
Cálidas paisagens sonoras
Embrenhadas nos passos hesitantes.
Um feto apodrecendo
Na vasta ternura da fria manhã.
Uma vaga rasga o céu que se ilumina,
Réstias de sons, perdidos,
Na imensidão do sol fumarento,
Reflectindo o lixo vácuo do caminho.
Caminhando entre detritos,
Súplicas monstruosas
Vagas tormentas
Matizes apodrecidos,
Abandono solar,
Corroendo a tormenta
Feita de fogo e fome e medo.
Somos todos feitos do que nos sobra.
Abandonados no simples gesto,
Acelerando na intrépida vertigem voraz
Do frio que corta a pele,
Na sempre constante
Inútil
Persistente
Sensação de tudo querer,
Nada ter,
Nada ser,
Tudo desejar com o grito
Calado e moribundo,
Vazio de Tempo,
Prenhe de Impossível
No silvo hipnótico
Dos olhos fechados em sonho,
No Ideal moribundo de um momento,
Em que tudo se altera,
Como por magia infértil,
Salto quântico,
No Universo estático,
Sem um único fechar de mãos.
Sem um único tormento largado
Das nossas vidas presas
Na imensidão do nosso Vazio.
Mas tudo se repete.
Nada muda.
Tudo se mantém
Na persistente tepidez do frio
Que nos abraça a pele.
Todo o Universo prossegue
Na sua vasta e inerte ilusão de Tempo e Espaço.
O Esquecimento ignóbil dos dias…
Um Dia Destes
Um dia destes, o sol entrará pela janela, e uma brisa ecoará através do teu cabelo. Irás arder nos meus dedos, rasgar-me a pele com a violência dos teus suspiros, gritar a saliva dos teus dentes no toque suave da tua pele. O teu perfume quente, banhará os lençóis revoltos e no fim da nossa morte, repousaremos entre um cigarro e o abandono.
No suor frio e seco partilhado, embriagados de nada, olhando o silêncio das paredes brancas, o tempo que repousa na calma voluptuosa da tarde, seremos o Universo conhecido, deuses moribundos feitos da lama das estrelas moribundas, vagando na solidão do resíduo dos dias agrestes, abandonados na voragem da nossa fome. Promessas partilhadas no olhar vazio, mergulho inconsciente na loucura da saliva partilhada. Um dia destes, seremos felizes...
No suor frio e seco partilhado, embriagados de nada, olhando o silêncio das paredes brancas, o tempo que repousa na calma voluptuosa da tarde, seremos o Universo conhecido, deuses moribundos feitos da lama das estrelas moribundas, vagando na solidão do resíduo dos dias agrestes, abandonados na voragem da nossa fome. Promessas partilhadas no olhar vazio, mergulho inconsciente na loucura da saliva partilhada. Um dia destes, seremos felizes...
Spit
Na ponta dos braços,
Vis dedos esticados,
Serpentes sedentas,
Tocando o céu…
Banhado de vento,
Alimentando o fogo,
Veias e pele e nada
Gritando carne,
Trotando chamas no peito,
Ansiado tempo que se gasta.
Vis dedos esticados,
Serpentes sedentas,
Tocando o céu…
Banhado de vento,
Alimentando o fogo,
Veias e pele e nada
Gritando carne,
Trotando chamas no peito,
Ansiado tempo que se gasta.
Nihil
No Nada que me cerca
No Nada que eu sou.
Uma luz rasga a escuridão.
Vómitos de saliva
Sangue corroído,
Sementes ácidas.
Transfusões de dias
Encerrados dentro de aço,
Gritos imundos.
Ser um Nada...
Ser Tudo!
E lá nada ter.
No Nada que eu sou.
Uma luz rasga a escuridão.
Vómitos de saliva
Sangue corroído,
Sementes ácidas.
Transfusões de dias
Encerrados dentro de aço,
Gritos imundos.
Ser um Nada...
Ser Tudo!
E lá nada ter.
No fluir arrastado dos segundos,
A escuridão rasga sonhos fétidos,
Prenhez de dádivas celestes,
Ansiosos mártires sombrios.
No fluir arrastado dos segundos,
O tempo não se faz húmus,
O tempo faz-se em pulsares,
Pó de estrelas moribundas.
No sempre constante...
No sempre etéreo...
No sempre vazio...
No sempre imenso
Persistir do tempo,
Os segundos fluem,
Arrastados...
Pela minhas podridão...
A escuridão rasga sonhos fétidos,
Prenhez de dádivas celestes,
Ansiosos mártires sombrios.
No fluir arrastado dos segundos,
O tempo não se faz húmus,
O tempo faz-se em pulsares,
Pó de estrelas moribundas.
No sempre constante...
No sempre etéreo...
No sempre vazio...
No sempre imenso
Persistir do tempo,
Os segundos fluem,
Arrastados...
Pela minhas podridão...
Na calçada, os corpos amontoados largam um cheiro pútrido
que se mistura com o ar abafado e estagnado. Provocam vómitos, tonturas e uma
claustrofóbica sensação de desconforto em quem se aproxima. Tapar o nariz com a
gola da camisola não resulta. O cheiro é tão intenso e agressivo que toma conta
de tudo em redor. É impossível fugir dele, entranhasse na própria consciência. Mesmo
depois de sair daquela rua abandonada e cheia de lixo e corpos a apodrecer, o
cheiro contínua presente, como uma alucinação demasiado real e dolorosa. Um cheiro
físico.
(excerto de Verbum Spiritus Homini)
...lixo humano...
somos o húmus do dia.
o vento que corre por entre as sombras
fantasmas de fogo espalhados no vento.
serpentes feitas de pedra,
selvagens perdidos na cidade.
somos o tormento dos gritos,
a solidão de betão,
os que se arrastam nas franjas,
olhando o céu poluído,
esperando...
esperamos o que não iremos encontrar,
promessas adiadas, esquecidas,
a sempre constante vertigem
o el-dorado irreal,
um sonho cravado a sangue,
imagens distorcidas
de uma felicidade ideal.
a felicidade é condicional,
as condições são impostas,
falhar em tudo,
húmus da sociedade,
lixo carnivoro.
gritar que se é feliz...
gritar!
sair do que nunca fomos,
essa a revolução.
o vento que corre por entre as sombras
fantasmas de fogo espalhados no vento.
serpentes feitas de pedra,
selvagens perdidos na cidade.
somos o tormento dos gritos,
a solidão de betão,
os que se arrastam nas franjas,
olhando o céu poluído,
esperando...
esperamos o que não iremos encontrar,
promessas adiadas, esquecidas,
a sempre constante vertigem
o el-dorado irreal,
um sonho cravado a sangue,
imagens distorcidas
de uma felicidade ideal.
a felicidade é condicional,
as condições são impostas,
falhar em tudo,
húmus da sociedade,
lixo carnivoro.
gritar que se é feliz...
gritar!
sair do que nunca fomos,
essa a revolução.
Fechar os Olhos
![]() |
| (photo by Rodrigo Silva) |
Fechar os olhos. Estender o corpo na lentidão tépida de não pensar. Esvaziar a mente. Ficar com o que sobra do dia: uma pegada perdida no meio do areal, o vento a cobrir lentamente o seu vestígio, um livro abandonado, coberto de grãos de areia, o silvo constante do vento, e a solidão que se fecha em murmúrios.
Fechar os olhos. Abandonar tudo. Toda a esperança, todas as memórias irreais que se repetem e repetem no turbilhão do silêncio do dia sufocante.
Fechar os olhos. Gritar. Gritar como se não existisse na margem do ser, uma voz arrastada na suplicante vertigem do calor. Gritar aos mil infernos o inferno único onde vivo.
Fechar os olhos. Esquecer... Esquecer...
Abro os olhos... O areal deserto inflamasse rubro, numa chama matizada de sonhos. Tenho em mim o cheiro do abandono que me veste...
Fechar os olhos. Abandonar tudo. Toda a esperança, todas as memórias irreais que se repetem e repetem no turbilhão do silêncio do dia sufocante.
Fechar os olhos. Gritar. Gritar como se não existisse na margem do ser, uma voz arrastada na suplicante vertigem do calor. Gritar aos mil infernos o inferno único onde vivo.
Fechar os olhos. Esquecer... Esquecer...
Abro os olhos... O areal deserto inflamasse rubro, numa chama matizada de sonhos. Tenho em mim o cheiro do abandono que me veste...
Hand Of God
No toque eterno,
fulminante
momento irreal.
Desvendaste sonhos,
promessas,
que jazem
inertes
no compassado fluir do tempo…
...crepúsculo...
A vertigem do real. réstias de momentos que afloram a mente, excertos que se repetem... a pergunta, terão sido reais? Todas as memórias não passam de excertos de filmes, tão reais quanto o vazio de que se formaram. Olhar a parede, tela irreal de realidades confundidas, e perceber que nada é do que foi. Cobrir a realidade num véu imenso de nevoeiro, que tudo sufoca, tudo matiza, e ficam arestas cegas, desenhadas a carvão negro, e deixam todo o desejo voar ao sabor do pulsar do coração. um segundo, síncope desenhada, o seu traço deixa de existir, síncope, a sua forma confunde-se com outra forma, já nada é real, síncope, a sua voz murmura palavras nunca ditas, síncope, olho a parede negra, e já és apenas o que quero que sejas. O cheiro da tua pele cobre-me, o sabor dos teus lábios embriaga-me. Insistes em te fazer real na forma desenhada a carvão na parede.
O sol põe-se. A parede cobre-se de sombras. As luzes da cidade acendem-se hesitantes. Um reflexo amarelado entra pela janela, e a forma de ti desenha-se na parede, real como a pele que me cobre.
...uma chávena abandonada...
Há na forma delicada do teu gesto
uma tristeza que não se ouve.
O suave desenho de sombras
através de silêncios partilhados,
a multidão encerrada no teu olhar
que chora sob o dia cinzento,
a chávena de café abandonada.
Olhas com um olhar pequeno,
todo o medo é partilhado,
lá fora passa um grupo ruidoso,
olhas pela janela.
Nada interessa.
Acendes mais um cigarro,
não queres mais café,
a chávena continua abandonada,
o cinzeiro enche-se de beatas e cinza
lá fora a chuva continua a embater no vidro,
fixas o olhar no fim da rua,
passa um carro,
a noite cai...
O Tempo é cruel...
uma tristeza que não se ouve.
O suave desenho de sombras
através de silêncios partilhados,
a multidão encerrada no teu olhar
que chora sob o dia cinzento,
a chávena de café abandonada.
Olhas com um olhar pequeno,
todo o medo é partilhado,
lá fora passa um grupo ruidoso,
olhas pela janela.
Nada interessa.
Acendes mais um cigarro,
não queres mais café,
a chávena continua abandonada,
o cinzeiro enche-se de beatas e cinza
lá fora a chuva continua a embater no vidro,
fixas o olhar no fim da rua,
passa um carro,
a noite cai...
O Tempo é cruel...
Falha
O meu mundo esvai-se.
Pensamentos que me afloram a mente, perdem-se depois no turbilhão de pensamentos que acabam por se confundir uns aos outros. Talvez agarrar um… É apenas isso que é necessário. Agarrar um pensamento, agarrá-lo com todas as forças, gritar ao vento e ao nada apenas esse pensamento, multiplicar, repetir, esvazia-lo ao seu máximo esplendor. É isso que é preciso… mas quando o começo a escrever… Fica apenas uma frase, e a impossibilidade de a sentir…
Respiro fundo, derrotado, acendo um cigarro e fico a olhar a chama do fósforo a dançar antes de morrer. Não saber o que escrever, ter a fome, a vontade, mas não ter nada que escrever… Como se o grito que me rasga a alma fosse tão violento que nem deve sair da sua gruta escura…
Porquê?
Na sua voz um murmúrio... No compasso incandescente da multidão dos mutilados, o ribombar de certezas perdidas no pó e no sangue. Quando ele se viu assim indefeso e só, a lágrima que floresceu afogou a sua Dor... Um grito que rasga, o murro no vento, o seu corpo prostrado no chão frio... na terra indiferente à sua solidão...
Jean Jacques Henner "Solitude"
Jean Jacques Henner "Solitude"
Chuva Miudinha
No dia enfurecido, sento-me na mesa abandonada do café vazio, bebo um café com a solenidade da chuva dançando na janela. Entra pela porta um frio que toma conta de tudo, gelando o ruído da televisão esquecida. Entra alguém. O seu corpo encolhido expande-se enquanto toma conta do ambiente com a sua voz familiar, e o riso da empregada deambula por palavras de simpatia antes de perguntar se é um café. Sim, é um café. E senta-se perto do balcão, enquanto fala em voz alta com a empregada, sobre quem acabou de ver na rua. A máquina chia, barafusta, preguiçosa, e o relato prossegue, sobre quem viu na rua.
Há nos pequenos momentos partilhados, uma forma de vazio que se dilui. O mundo persiste na sua imensidão, esmagando corpos derrotados em almas que gritam. A chuva persiste, o vazio persiste, mas a visão de alguém que se viu na rua, devolve por momentos alguma réstia de Humanidade. O paraíso que se perdeu, insiste em se manter escondido. Porquê esta ânsia de o reencontrar? Saio do café, a chuva molha-me a face, caminho sozinho sob a chuva miudinha, e desisto da Humanidade. O paraíso que se perdeu, nunca mais será descoberto. Abraço a derrota, e por momentos, sorrio, e acho o meu paraíso...
Há nos pequenos momentos partilhados, uma forma de vazio que se dilui. O mundo persiste na sua imensidão, esmagando corpos derrotados em almas que gritam. A chuva persiste, o vazio persiste, mas a visão de alguém que se viu na rua, devolve por momentos alguma réstia de Humanidade. O paraíso que se perdeu, insiste em se manter escondido. Porquê esta ânsia de o reencontrar? Saio do café, a chuva molha-me a face, caminho sozinho sob a chuva miudinha, e desisto da Humanidade. O paraíso que se perdeu, nunca mais será descoberto. Abraço a derrota, e por momentos, sorrio, e acho o meu paraíso...
Nocturnus
Há nos dias que correm sempre iguais, um fascínio pelo Abismo. Cada passo que ecoa nas paredes sujas das ruas desertas, promete revolucionar todo o Universo. Até onde irá esta noite? Que delírios estarão prometidos para o silêncio sepulcral dos dias?
No chão que se desvenda no trajecto para o esquecimento, uma resposta é partilhada no céu branco da noite da cidade. Nenhuma estrela brilha, queimadas pelas luzes vazias e desertas. Nas janelas corridas, nas portas fechadas, nos prédios abandonados, nas ruas desertas, todas as respostas gritam estagnadas na minha consciência. O Vazio tomou conta de mim, e o frio que corta a minha face, liberta uma lágrima que gélida corre de encontro ao asfalto escuro.
Serenidade
Como um braço de mar que entra pela terra, a sua respiração tomava conta de todo o quarto, numa serenidade apenas dela. Murmúrios enlevados, vagas súplicas no tempo disforme, copos sujos e abandonados no chão revolto, o dia que acorda banhado em luz e frio.
Silêncio... Todo o Universo vive em ti: na tua pele quente, galáxias revolvem e morrem,; nos teus olhos, estrelas morrem num esplendor explosivo; nos teus lábios, planetas de todas as cores dançam numa sinfonia silenciosa; nos teus seios, oceanos matizam-se em mil formas; na tua pele, a vida desfaz-se na eternidade...
Silêncio... Todo o Universo vive em ti: na tua pele quente, galáxias revolvem e morrem,; nos teus olhos, estrelas morrem num esplendor explosivo; nos teus lábios, planetas de todas as cores dançam numa sinfonia silenciosa; nos teus seios, oceanos matizam-se em mil formas; na tua pele, a vida desfaz-se na eternidade...
(photo by Jean-Francois Jonvelle )
Se um dia o meu corpo
for encontrado
jazendo
num rio de sangue...
Atrás do tempo
alguém virá
resgatar
o seu vazio...
Se um dia
o meu desejo
morrer
encarcerado em sal...
No fim do dia
na rocha eterna
suspiros
elevar-se-ao ao céu...
Se no fim
do tempo difuso
o esquecimento
vencer...
Serei
eternamente
pó...
for encontrado
jazendo
num rio de sangue...
Atrás do tempo
alguém virá
resgatar
o seu vazio...
Se um dia
o meu desejo
morrer
encarcerado em sal...
No fim do dia
na rocha eterna
suspiros
elevar-se-ao ao céu...
Se no fim
do tempo difuso
o esquecimento
vencer...
Serei
eternamente
pó...
Lust
Serpentes envenenadas,
réstias fumegantes
tempo perdido...
No toque
da tua mortandade,
lábios famintos,
veias nervosas,
gritos...
réstias fumegantes
tempo perdido...
No toque
da tua mortandade,
lábios famintos,
veias nervosas,
gritos...
...retalhos...
Sofri...
Mas no leve fluir da minha miséria nada mais encontrei que não o vazio.
Esperei-te perto duma parede sem porta...
Abri uma janela sem vento,
Abri uma sepultura que já estava fechada.
Morte imunda que me foges...
Será o desejo de Morte apenas uma prova que amo a vida?
Sou um resto de carne...
Uma alma que erra por dores atrozes outrora odiadas.
Tenho os braços matizados de sangue e Morte,
Tenho as veias sedentas de sémen de Loucura...
Porque apenas o vazio enche os dias?
Serpente
A serpente que dança no pó, no sensual vagar do seu deleite, arrasta atrás de si promessas que se perdem na passagem do sol pelo horizonte. De repente, todo o céu se fez sangue, e no êxtase final do dia, uma sombra desvaneceu-se lânguida.
Tempestade
Defunctis
Humano
Condição essencial ao vazio
Multidão
Gritos vazios
Sementes douradas
Frio que corta
Sensação solidão
Vagas incandescentes
Aço e cinzas
Sal e sangue
Nesgas de carne
Suspiros vagos
O fim sempre presente
O grito mudo
Condição essencial ao vazio
Multidão
Gritos vazios
Sementes douradas
Frio que corta
Sensação solidão
Vagas incandescentes
Aço e cinzas
Sal e sangue
Nesgas de carne
Suspiros vagos
O fim sempre presente
O grito mudo
...pétalas negras...
nos ramos despidos das àrvores,
um vento outonal sobe
através de troncos moribundos,
depositando no ar
um perfume podre.
no chão fúnebre,
trilhos de pele carnívora
vegetam a morte,
em crepusculares nocturnos
que se dissipam
no vasto vazio etéreo.
canto solene,
mártir do silêncio efémero,
rasgando cadáveres,
sob um viscoso líquido
de sabor ácido e acre,
pétalas ressequidas
matiz apodrecido.
no vasto murmúrio do húmus,
na lânguida persistência do silêncio,
no ondulante requiem do vazio,
espectral abandono
de minha alma tétrica.
um vento outonal sobe
através de troncos moribundos,
depositando no ar
um perfume podre.
no chão fúnebre,
trilhos de pele carnívora
vegetam a morte,
em crepusculares nocturnos
que se dissipam
no vasto vazio etéreo.
canto solene,
mártir do silêncio efémero,
rasgando cadáveres,
sob um viscoso líquido
de sabor ácido e acre,
pétalas ressequidas
matiz apodrecido.
no vasto murmúrio do húmus,
na lânguida persistência do silêncio,
no ondulante requiem do vazio,
espectral abandono
de minha alma tétrica.
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