A vertigem do real. réstias de momentos que afloram a mente, excertos que se repetem... a pergunta, terão sido reais? Todas as memórias não passam de excertos de filmes, tão reais quanto o vazio de que se formaram. Olhar a parede, tela irreal de realidades confundidas, e perceber que nada é do que foi. Cobrir a realidade num véu imenso de nevoeiro, que tudo sufoca, tudo matiza, e ficam arestas cegas, desenhadas a carvão negro, e deixam todo o desejo voar ao sabor do pulsar do coração. um segundo, síncope desenhada, o seu traço deixa de existir, síncope, a sua forma confunde-se com outra forma, já nada é real, síncope, a sua voz murmura palavras nunca ditas, síncope, olho a parede negra, e já és apenas o que quero que sejas. O cheiro da tua pele cobre-me, o sabor dos teus lábios embriaga-me. Insistes em te fazer real na forma desenhada a carvão na parede.
O sol põe-se. A parede cobre-se de sombras. As luzes da cidade acendem-se hesitantes. Um reflexo amarelado entra pela janela, e a forma de ti desenha-se na parede, real como a pele que me cobre.
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