"Love Hurts" Diálogos


Com os olhos no chão, a sua expressão tinha o peso da derrota que só uma mulher pode dar. Os seus olhos mortiços, os seus lábios hesitantes, aquele vagar nos gestos de quem já não se interessa, de quem não quer saber, de quem se quer entregar à dor e de lá nunca sair, todo ele era uma existência de quem não se sente.

Olhou o vazio, e com uma voz pesada e derrotada, desabafou a dor que tinha dentro de si, as mulheres não prestam, nenhuma mulher presta, são todas umas cabras, umas putas, só querem foder, gajos bonitos e ricos. Também ele tinha sido derrotado por uma mulher, também ele sofria por uma mulher, o ultimo passo do Amor, aquela Dor de se sentir traído, de se sentir iludido, de ter acreditado que havia uma pessoa, uma singela pessoa no Mundo inteiro, entre tantos biliões de pessoas no mundo inteiro, que ia tomar para si as suas dores, os seus sonhos, as suas angústias e as suas alegrias. Aquela dor de quem acorda e vê que afinal está só, como sempre esteve, como sempre soube que estaria. Aquela dor de quem repara que afinal… Não seria com Ela para o resto da Vida… Todas, murmurou ele ainda… Ela não era a excepção… Ela não ia ser Ele, com ele…

Ao vê-lo tão inocente, tão ingénuo, tão dorido, tão só, tão Dor, respirei fundo e fui honesto: Putas? Foder? Dinheiro? Gajos bonitos? Sim, é verdade. Todas as mulheres são assim. Isso pode ser verdade, que é. Mas acredita que isso é a maior mentira. As mulheres só querem uma coisa, uma única coisa, um gajo que as ouça, que fale com elas… E se um gajo as ouvir, falar com elas, não há dinheiro, beleza ou seja o que for que prefiram a isso.

Ele riu-se, sorriu, abanou a cabeça, concordou, e num silêncio quebrado murmurou. Puta. E foi Amor o murmúrio.