A meu lado um anjo, feito de sombras e solidão. Dentro de mim um demónio, rasgando-me em gritos. Fecho os olhos e acaricio o vazio de mim. Nas sombras de fumo e escuridão, vultos dançam, ébrios com a música silenciosa da noite. Olho o silêncio, dança inerte dos sentidos. Abro os olhos. Fico a olhar o tecto. Vazio.Há de repente um ribombar. Dentro de mim algo explode. Algo tenebroso e assustador, uma erupção de negro que me engole. Nada faz sentido, tudo se torna irreal, sufocante. Um grito que me consome, no silêncio da noite fria. Um múrmurio ténue que cresce, se torna vagas monstruosas de terror. Consome-me um turbilhão tempestuoso. Um buraco negro que cresce, imenso, cada vez maior. Cresce com um silvo que se torna cada vez mais ensurdecedor. Cada vez mais avassalador. Multidão de demónios que se soltam no inferno de mim, em gritos desesperados, constantes, fétidos, avassaladores. Engolido pelo meu próprio medo, o meu corpo cai derrotado no vácuo de mim. Um grito solta-se, desesperado.
Nada sobra...
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