Um vampiro de olhos vermelhos
Percorre ruelas sombrias.
Nos seus pés inquietos,
Corpos abandonados ao prazer
Em assembleias ébrias.
Carne jovem, rubra, vibrante,
Perfumada de frescura e suor.
Rastos de serpentes
Nas pedras gastas.
Chamas negras
Incendeiam o nevoeiro branco,
O silêncio mortal
Sucumbe a deuses breves.
O riso inebriante
Ecoa nas paredes apodrecidas,
Zumbindo vácuas memórias.
Jaz morto o dia,
Fantasmas de dias cinzentos
Pairam no vazio doentio,
Feito de violências lendárias,
Sangue coagulado no Verbo,
Cálidas paisagens sonoras
Embrenhadas nos passos hesitantes.
Um feto apodrecendo
Na vasta ternura da fria manhã.
Uma vaga rasga o céu que se ilumina,
Réstias de sons, perdidos,
Na imensidão do sol fumarento,
Reflectindo o lixo vácuo do caminho.
Caminhando entre detritos,
Súplicas monstruosas
Vagas tormentas
Matizes apodrecidos,
Abandono solar,
Corroendo a tormenta
Feita de fogo e fome e medo.
Somos todos feitos do que nos sobra.
Abandonados no simples gesto,
Acelerando na intrépida vertigem voraz
Do frio que corta a pele,
Na sempre constante
Inútil
Persistente
Sensação de tudo querer,
Nada ter,
Nada ser,
Tudo desejar com o grito
Calado e moribundo,
Vazio de Tempo,
Prenhe de Impossível
No silvo hipnótico
Dos olhos fechados em sonho,
No Ideal moribundo de um momento,
Em que tudo se altera,
Como por magia infértil,
Salto quântico,
No Universo estático,
Sem um único fechar de mãos.
Sem um único tormento largado
Das nossas vidas presas
Na imensidão do nosso Vazio.
Mas tudo se repete.
Nada muda.
Tudo se mantém
Na persistente tepidez do frio
Que nos abraça a pele.
Todo o Universo prossegue
Na sua vasta e inerte ilusão de Tempo e Espaço.
O Esquecimento ignóbil dos dias…
....... ~
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