Imensidão



Abri pórticos feitos de carne, na alma impura do meu sofrer. Rasguei na solidão do meu dia, noites agrestes feitas de frio e sal. Sorvi mundos inteiros, sem derramar nenhuma lágrima, nenhum grito capaz de me salvar. Feito múmia, ansiei a morte que me iria salvar, na vastidão agreste do ruído da minha mente. Gritar ao negro, gritar ao impossível, aspirar ténues fogachos de cinzas incandescentes, e aí, nesse martírio solene, erguer a cabeça, e conquistar a vastidão do inútil.

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