Grito(s)

Nas sombras incertas um grito ecoou, real e súbito, como uma multidão em alvoroço... Olhei assustado. Era o meu silêncio...

Acendi um cigarro e voei em mim mesmo. Matei-me, ressuscitei, no tempo impreciso dum suspiro.

Sentei-me na cadeira mais afastada da mesa mais vazia, olhei o espaço invisível até ao infinito desfocado. Na minha frente, um copo vazio, uma chávena suja, um cinzeiro abandonado. Cinzas de um momento perdido. Atrás de mim um vazio feito de nada. A brisa passa, queima-me os braços de um sopro, o toque quente, o tempo desfaz-se.

Sem comentários:

Enviar um comentário