As ruas desertas,
banhadas de prata e humidade,
tragam nas pedras sujas,
memórias irreais
de vastas paisagens se sol.
Quando o calor bramia,
com o seu bafo tórrido,
punhais na pele nua
do cheiro húmido
de mulheres amadas,
num amor breve
feito de pele e carne,
e o céu imenso
esmagava a paisagem,
numa convulsão alquimica
que se diluía, confundia,
se tornava una,
eu era apenas um ponto,
um pequeno ponto de nada,
que me sentia parte
de todo aquele plano,
sem memória,
sem sonho,
sem pensamento,
fugaz e breve
alma de carbono.
Era,
por aqueles tempos,
personagem bíblica,
deus da minha religião,
acólito de fogo,
sorvedor da água da vida,
bêbado e actor.
Declamava odes ao vento,
ejaculava no fogo tépido,
embriagado de sangue, saliva e suor,
e repousava farto na lama partilhada.
(...)
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