Na noite que me cobre,
O sol é mais quente.
Memória de tempos idos,
Coberta pelo nevoeiro salgado,
Espuma irreal,
Que me cobre a face.
Olho o tempo que se desfaz,
Lentamente,
Com persistência pontual
Esvaindo-se no abismo,
Gritando o vazio impossível,
Do rasto da serpente
Que dançou ante meu olhar.
Ela abriu o vento,
Fez-se matéria palpável,
Rasgou-me os sentidos,
Mordeu-me a pele quente,
Fez-se humidade,
E lama!
E fogo!
Brandiu o meu desejo
Como faca aguçada,
E no fio da navalha fria,
Que me rasgava a pele,
Fez-me dela.
Derrotados,
As sombras deslizam nos lençóis,
E o sol morre rubro,
Banhado no odor da tua pele.
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